O celular toca antes das 7h da manhã. O corpo inteiro treme. Você já sabe: é credor. Banco. Fornecedor. Agiota. Ex-funcionário. Alguém cobrando o que você não tem.
Você atende — e mente. De novo. Inventa uma data. Promete o que sabe que não pode cumprir. Desliga. E sente o estômago revirar de vergonha.
Aí vem a próxima ligação. E a próxima.
Até que você para de atender.
Você sabe o que é acordar às 3h da manhã com a mente disparando a 300 por hora. Pensar em tudo que deu errado. Em tudo que você deveria ter feito diferente. Na empresa que era pra estar funcionando. No dinheiro que era pra estar na conta. Na vida que era pra ser outra.
Você sabe o que é sentir o pânico do domingo à noite — porque segunda-feira vem e com ela vem tudo de novo.
Você sabe o que é olhar pra sua esposa ou marido e sentir vergonha de existir. Ver seu filho e pensar: "Eu falhei com você."
Você sabe o que é ir ao mercado e fazer conta de centavos. Você, que já movimentou milhões. Você, que já teve 80 funcionários, frota, escritório, conta gorda no banco.
Agora você mal consegue pagar a conta de luz.
E o pior não é a dívida.
O pior é a voz que fala dentro de você, de madrugada, quando todo mundo dorme:
Se você se reconheceu em alguma dessas linhas, continue lendo. Porque eu não escrevi isso depois de pesquisar sobre crise empresarial.
Eu escrevi isso depois de viver cada uma dessas cenas na pele.